União Europeia e México reagem a tarifas de 30% dos EUA que podem impactar cadeias produtivas e exportações globais

Neste sábado, tanto a União Europeia quanto o México se manifestaram em resposta ao anúncio do governo dos Estados Unidos sobre a imposição de uma tarifa de 30% sobre produtos importados desses parceiros a partir de 1º de agosto. Essa medida é parte de uma série de comunicações do presidente Donald Trump, que pretende aplicar tarifas que variam de 20% a 50% para um total de 23 países, incluindo Canadá, Japão e Brasil.

Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, declarou que a união está disposta a prosseguir com as negociações, mas tomará contramedidas adequadas caso as tarifas sejam implementadas, destacando que tal medida prejudicaria importantes cadeias produtivas para ambas as economias.

Autoridades europeias, como a ministra da Economia da Alemanha, Katherina Reiche, alertaram sobre o impacto das tarifas nas exportações e na economia global, enquanto o presidente francês, Emmanuel Macron, enfatizou a necessidade de proteger os interesses europeus.

No México, a presidente Claudia Sheinbaum expressou otimismo sobre a possibilidade de um acordo antes do prazo indicado pelos EUA, destacando a colaboração do país em conter o tráfico de drogas, mas reafirmando a soberania mexicana.

Essas novas ameaças tarifárias surgem após meses de negociações sem resultados com a União Europeia, sendo que a carta enviada ao bloco inclui a demanda para a remoção das tarifas de importação para produtos americanos, a fim de reduzir um déficit comercial que alcançou US$ 235 bilhões em 2024.

As tarifas também foram justificadas por questões de segurança relacionadas ao combate ao tráfico de fentanil, principalmente no contexto do México, onde Trump mencionou a dificuldade em controlar os cartéis.

A relação comercial entre a União Europeia e os Estados Unidos é uma das mais significativas do mundo, envolvendo bens, serviços e investimentos. Estimativas do Banco Central Europeu sugerem que uma tarifa de 20% sobre produtos europeus poderia impactar em até 1 ponto percentual o crescimento da economia da zona do euro até 2027, sem contabilizar os efeitos de uma tarifa de 30%, que teria consequências adicionais para consumo e inflação.

O México, por sua vez, envia mais de 80% de suas exportações para os EUA, tendo se tornado o principal parceiro comercial dos Estados Unidos em 2023 após o novo acordo que substituiu o NAFTA.

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