Na próxima semana, estarei seguindo para Adis Abeba, na Etiópia, para participar da segunda Conferência de Revisão do Sistema Alimentar da ONU. Esta revisão é crucial para termos uma visão clara dos avanços e dos desafios que ainda enfrentamos na transformação dos sistemas alimentares.
Ao nos aproximarmos do evento, é importante refletir sobre questões que já levantei anteriormente: qual é nossa situação atual na transformação do sistema alimentar e qual direção estamos tomando? Como avaliar se as ações implementadas estão de fato gerando progresso?
Com os sistemas alimentares e agrícolas agora na agenda global, fundamentais para a ação climática, resiliência econômica, nutrição e segurança alimentar, ainda percebemos que o progresso é lento, conforme aponta uma ex-diretora de um importante programa da ONU.
Ela ressalta que agricultores e comunidades enfrentam falta de capital, mercados e apoio político, e que é hora de os governos se comprometerem com ações financeiras e políticas decisivas. Enquanto isso, o setor privado deve buscar investimentos menos arriscados e parcerias públicas significativas.
O propósito da revisão é alinhar esforços entre governos, sociedade civil e investidores para alcançar as metas estabelecidas. Porém, algumas vozes importantes criticam o formato da revisão, alegando que prioriza interesses corporativos em detrimento de questões de direitos humanos e segurança alimentar.
É vital que ouçamos aqueles que vivem as realidades do sistema alimentar, como agricultores, pescadores e trabalhadores da área, ao avaliarmos nosso progresso.
Após a conferência, minha intenção é viajar pela Etiópia para escutar diretamente das comunidades como estão se adaptando às mudanças climáticas e enfrentando a insegurança alimentar. Chamo esse esforço de “verificação no campo”, pois acredito que a única maneira de compreendermos as realidades do sistema alimentar é dialogando com aqueles que são mais impactados por essas decisões.
Embora os desafios sejam imensos e a velocidade de progresso esteja aquém do necessário para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável até 2030, o conhecimento necessário para superá-los já está presente nas comunidades ao redor do mundo. A transformação das metas em ações reais requer colaboração e aprendizado mútuo.

