Petróleo atinge US$ 81,40 por barril em meio a tensões no Oriente Médio e possíveis riscos de oferta

O petróleo iniciou a semana em alta de até 5,7%, alcançando o valor de US$ 81,40 por barril, marcando três semanas seguidas de valorização.

No último fim de semana, Donald Trump comentou que os ataques aéreos dos EUA “obliteraram” os três alvos identificados e insinuou a possibilidade de novas ações militares caso o Irã não buscasse a paz. Enquanto isso, Teerã advertiu que as ações teriam “consequências eternas”.

O ataque direcionado às instalações de Fordow, Natanz e Isfahan intensifica as tensões no confronto e aumenta o risco percebido no mercado global de energia, com a extensão dos ganhos nos preços dependendo da resposta do Irã.

O mercado petrolífero já está sob pressão desde que Israel atacou o Irã, há mais de uma semana, levando a um aumento dos contratos futuros, disparo nos volumes de opções e ajustes nas taxas de frete em resposta a preocupações com a oferta.

O Oriente Médio, responsável por cerca de um terço da produção global de petróleo, pode enfrentar pressões inflacionárias adicionais caso os preços se mantenham elevados. Segundo analistas, a situação pode impulsionar os preços do petróleo para US$ 100 se o Irã retaliar como tem prometido.

O principal risco aos fluxos de petróleo envolve o Estreito de Ormuz, considerado estratégico, já que cerca de 20% da produção mundial passa por essa rota. O parlamento iraniano sugeriu o fechamento do estreito, mas tal decisão exigiria a autorização do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei.

Além disso, o Irã poderia atacar a infraestrutura de petróleo de nações rivais na região, como Arábia Saudita, Iraque ou Emirados Árabes Unidos, gerando preocupações em Riad e Bagdá. Existe a possibilidade também de que Teerã instigue ataques a navios no Mar Vermelho com a ajuda dos houthis do Iémen, que já ameaçaram retaliar.

Se o conflito se intensificar, as instalações de petróleo do Irã, incluindo o terminal na Ilha Kharg, podem se tornar alvos de ataque, o que poderia provocar um aumento ainda maior nos preços do petróleo, algo que os EUA prefeririam evitar.

Atualmente, a Ilha Kharg não foi atingida e há indícios de que o Irã está aumentando suas exportações de petróleo. A crise também atrai a atenção para a Opep e seus aliados, já que a organização tem ajustado rapidamente as restrições de oferta para tentar reconquistar participação de mercado, embora ainda mantenham uma capacidade ociosa significativa que pode ser reativada.

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