Entre novembro de 2024 e junho de 2025, o cenário econômico brasileiro passou de previsões sombrias para um rali na bolsa de valores, onde o Ibovespa saltou de 128 mil pontos para cerca de 140 mil pontos em maio, registrando uma valorização de 15,44% no primeiro semestre.
O dólar, que havia ultrapassado os R$ 6,00 no final do ano anterior, recuou para R$ 5,60.
Rodrigo Azevedo, ex-diretor de política monetária do Banco Central e gestor da Ibiuna Investimentos, identifica três fatores que impulsionaram o otimismo dos investidores. Durante um evento em julho, Azevedo discorreu sobre as razões por trás da animação nos mercados e a preparação para os meses seguintes.
Ele argumenta que, considerando esses fatores, tornou-se arriscado agir contra o Brasil. A mudança na tendência da bolsa pode ser atribuída ao cenário internacional, onde a expectativa inicial de um dólar forte com o governo Trump não se concretizou, resultando em uma desvalorização de 6% da moeda americana e uma desaceleração econômica. Isso levou investidores globais a buscarem alternativas fora dos EUA, beneficiando países emergentes como o Brasil, que recebeu R$ 27 bilhões em capital estrangeiro na primeira metade do ano.
Outro impulso foi o aumento da Selic, que subiu de 10,75% para 15% ao ano entre novembro de 2024 e junho. Este fator, embora geralmente não atraia investidores, fez com que muitos olhassem para o Brasil, já que o país subiu os juros enquanto outras nações realizavam cortes, mesmo que tal taxa ainda indicasse problemas internos a serem resolvidos.
Azevedo ressalta a necessidade de um ajuste fiscal significativo até 2027 para evitar a deterioração da dívida pública. A possibilidade de mudança de política econômica nas próximas eleições também atraiu interesse. Com um ambiente externo desafiador, uma economia brasileira resistente até 2027 e a expectativa de retornos de 15% ao ano, os investidores permanecem dispostos a manter seus recursos no país.
Embora Azevedo alerte para a fragilidade do equilíbrio entre esses fatores, sugerindo cautela nas alocações, ele também recomendou sete ativos a serem incluídos nas carteiras durante o painel sobre macroeconomia. Azevedo incentivou a busca por informações mais detalhadas sobre as projeções econômicas e as oportunidades de investimento para o segundo semestre.

