Operadores de petróleo se preparam para volatilidade nos preços após ataques israelenses a instalações no Irã

Os operadores do setor de petróleo estão se preparando para um possível aumento nos preços, após ataques de Israel a instalações de energia do Irã, que elevam as preocupações sobre o fornecimento na região do Oriente Médio.

Um ataque realizado no sábado resultou na destruição temporária de uma unidade de processamento de gás natural vinculada ao campo de South Pars, o maior do Irã, além de atingir tanques de armazenamento de combustível. Tudo isso faz parte da estratégia de Israel contra o programa nuclear iraniano.

Embora a ação tenha se concentrado em instalações destinadas ao consumo interno, sem impactar diretamente as exportações, analistas e comerciantes estão se preparando para um período de alta volatilidade, especialmente após o recente aumento significativo nos preços do petróleo.

O Irã, mesmo sob sanções, permanece o terceiro maior produtor da Opep. Enquanto isso, os rebeldes Houthis, aliados do país no Iémen, têm atacado embarcações na área, e o Irã já emitiu ameaças anteriores de fechar o Estreito de Hormuz, essencial para o transporte de petróleo, embora nunca tenha conseguido realizar tal bloqueio efetivamente.

Especialistas afirmam que a escalada do conflito provavelmente será prolongada e que a intensificação dos ataques a alvos econômicos pode aumentar o risco e os preços do petróleo nas próximas semanas.

Na sexta-feira, o contrato futuro do petróleo WTI alcançou um aumento de até 14%, fechando próximo a US$ 73 o barril, com previsões de que um fechamento do Estreito poderia fazer os preços internacionais chegarem a US$ 130, exacerbando a pressão inflacionária global.

O ataque resultou em explosões e incêndios numa instalação de gás, obrigando a suspensão de uma plataforma no South Pars. A situação levanta questões sobre se Israel expandirá seus ataques a outras infraestruturas energéticas do Irã.

Se houver interrupções significativas na produção, é possível que o presidente dos EUA solicite à Opep+, liderada pela Arábia Saudita, que utilize sua capacidade ociosa, embora a eficácia dessa estratégia em compensar uma interrupção na produção iraniana, que atualmente está em torno de 3,4 milhões de barris diários, ainda seja incerta.

Qualquer tentativa nesse sentido poderia também colocar em risco a infraestrutura energética de aliados no Golfo. Embora a Opep tenha capacidade ociosa, isso poderia ser considerado politicamente delicado, principalmente em relação ao Irã.

O fato de que as grandes instalações de petróleo não foram alvo até o presente momento traz alguma estabilidade ao mercado, mas a perspectiva de uma guerra mais intensa poderia alterar essa tranquilidade.

A Agência Internacional de Energia, com sede em Paris, afirmou que o mercado global de petróleo está bem abastecido e se mostrou disposta a liberar estoques de emergência se necessário.

Em meio a essa turbulência, o presidente dos EUA expressou esperanças de que um acordo de paz entre os dois países possa ser alcançado. Especialistas sugerem que as preocupações com o Estreito de Hormuz podem estar sendo superestimadas, já que um fechamento prejudicaria também os interesses do Irã.

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