Recentemente, Jennifer Doudna, laureada com o Prêmio Nobel de Química em 2020 e uma das pioneiras do CRISPR, discutiu o imenso potencial dessa tecnologia de edição gênica que foi desenvolvida a partir do sistema imunológico de bactérias. Ela destacou suas aplicações transformadoras na medicina, agricultura e em diversos aspectos sociais.
O CRISPR já está demonstrando suas capacidades, com a recente aprovação de uma terapia pela FDA que pode curar doenças antes consideradas sem tratamento. Um exemplo impactante é o caso de Victoria Gray, a primeira paciente nos EUA a receber tratamento com CRISPR para anemia falciforme, que teve seu cotidiano radicalmente alterado para melhor.
Outro caso mencionado por Doudna é de um bebê que recebeu uma terapia personalizada com CRISPR para um raro distúrbio metabólico, desenvolvida em apenas seis meses em colaboração com o Innovative Genomics Institute.
Apesar dos avanços, a implementação dessa tecnologia ainda enfrenta barreiras, como a complexidade dos processos de credenciamento e tratamento, levando alguns a questionar seu futuro comercial. Entretanto, Doudna acredita que, superadas essas dificuldades, a edição gênica se tornará uma realidade otimizável.
A pesquisa continua avançando em várias partes do mundo, com equipes trabalhando para desenvolver medicamentos genéticos eficazes. Nessa linha, a empresa Intellia Therapeutics está em fase de testes clínicos para tratamento de doenças hepáticas com CRISPR.
Doudna também destacou a necessidade de uma melhor forma de entregar as enzimas CRISPR aos tecidos-alvo, um desafio que está recebendo atenção de pesquisadores e acadêmicos. Além disso, a regulamentação deve evoluir para permitir que terapias de edição gênica sejam mais facilmente desenvolvidas e comercializadas, já que muitas doenças raras não recebem investimentos devido ao seu mercado limitado.
A adoção de uma abordagem de plataforma para acelerar a aprovação de novos medicamentos poderia mudar esse cenário. Doudna ainda expressou esperança de que a edição gênica se prove eficaz para o tratamento de doenças comuns e também discutiu o impacto transformador do CRISPR na agricultura. Ela mencionou, por exemplo, a redução da emissão de metano por vacas e a criação de culturas mais resistentes, enfatizando que a edição não é a mesma coisa que a modificação genética convencional.
Além disso, a pesquisa básica e a colaboração internacional são fundamentais para o desenvolvimento de inovações valiosas. Doudna acredita que o futuro da medicina e da agricultura está apenas começando a se revelar com o CRISPR, que poderá trazer avanços significativos para a humanidade.

