Neste domingo, a Novo Nordisk anunciou que seu medicamento Wegovy para emagrecimento demonstrou uma redução de 57% no risco de ataques cardíacos, derrames ou óbitos em comparação com os concorrentes Mounjaro e Zepbound, da Eli Lilly, em um estudo focado em pacientes com sobrepeso e obesidade que apresentavam doenças cardiovasculares, mas não diabetes.
Essa informação pode ser um impulso para a Novo, que tem perdido participação de mercado nos Estados Unidos para a Zepbound, desde que se tornou a empresa mais valiosa da Europa no ano passado, em razão das vendas crescentes do Wegovy.
Atualmente, ambos os medicamentos dominam o mercado de perda de peso, com projeções de que o setor atinja US$150 bilhões até o início da década de 2030.
A agência reguladora dos Estados Unidos está avaliando uma versão oral de alta dose do Wegovy para aprovação ainda neste ano, sendo que testes mostraram que o medicamento beneficiou adultos com sobrepeso ou obesidade com uma perda de até 15% do peso corporal.
Contudo, os dados coletados em estudos do mundo real não podem estabelecer relações de causa e efeito como os ensaios clínicos randomizados, e o seguimento dos participantes foi limitado.
Embora o estudo não tenha sido controlado e randomizado, a Novo acredita que os resultados indicam que os benefícios cardiovasculares do Wegovy, que contém semaglutida, podem não ser aplicáveis a todos os medicamentos da classe GLP-1, como a tirzepatida, presente no Zepbound e no Mounjaro.
Em comparação com a tirzepatida, o Wegovy, na dosagem de 2,4 miligramas, apresentou uma redução significativa de 57% no risco de eventos cardíacos e mortes relacionadas, sendo que os eventos adversos foram raros em ambos os medicamentos.
Os dados, que envolvem mais de 21.000 pacientes e foram divulgados em uma conferência em Madri, também mostraram uma diminuição de 29% no risco cardiovascular e mortalidade por qualquer causa entre usuários do Wegovy em relação aos de tirzepatida, mesmo com interrupções no tratamento.

