Negociações para Importação de Carne Bovina Brasileira no Japão Focam em Fornecedores do Sul e Geram Preocupação em Outros Estados Exportadores

Atualmente, as negociações para permitir a importação de carne bovina brasileira no Japão estão focadas em habilitar fornecedores do Sul do Brasil, o que gera desconforto em empresas de outras regiões que também desejam acessar esse lucrativo mercado.

O Brasil, líder global na exportação de carne bovina, tem enfrentado dificuldades para adentrar o mercado japonês ao longo das últimas duas décadas. Um acordo permitiria ao Japão acessar uma nova fonte de fornecimento, além de seus tradicionais fornecedores, EUA e Austrália, especialmente em um cenário onde as tarifas norte-americanas estão reconfigurando o comércio internacional de alimentos.

As negociações ganharam novos ares após a visita do presidente ao Japão, que é um dos principais importadores de carne bovina. Porém, a atual abordagem tem gerado preocupação entre os frigoríficos em estados que, juntos, representam a maior parte das exportações do Brasil, como São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Pará, responsáveis por quase 60% das exportações totais, que totalizaram 1,72 milhão de toneladas no ano anterior.

Um memorando do governo brasileiro, após uma visita técnica de autoridades japonesas, indicou que foram apresentadas informações sobre a possibilidade de importação da carne bovina da região Sul do Brasil, mencionando especificamente Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina. Esses estados já foram considerados livres da febre aftosa antes de outros, embora o Brasil tenha obtido recentemente o status nacional livre da doença. O último surto ocorreu em 2006.

O Ministério da Agricultura do Brasil não comentou sobre o andamento das negociações. No entanto, uma fonte confirmou que os diálogos estão sendo conduzidos por região e que, por ora, não há planos para ampliar a negociação a outros estados.

Representantes do setor, como Paulo Mustefaga, presidente da Abrafrigo, expressaram preocupação com a limitação a apenas três estados, apesar da expectativa de que outros possam ser incluídos futuramente.

O ministério japonês responsável alertou que está ciente do status do Brasil em relação à febre aftosa e está realizando uma avaliação de risco antes de autorizar qualquer exportação, embora não tenha fornecido mais informações.

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