Análise do Morgan Stanley sobre o Federal Reserve
A famosa ideia de que “o mercado sempre se antecipa” pode estar equivocada, de acordo com a análise do Morgan Stanley, especialmente em relação ao Federal Reserve. Diferentemente das expectativas predominantes, a instituição americana prevê que o Fed não realizará cortes nas taxas de juros em 2025, acreditando que o banco central dos EUA aguardará mais tempo do que o esperado.
Esse atraso é atribuído a um fator que tem sido subestimado: a influência inflacionária das tarifas e da política de imigração. O economista-chefe global do banco, Seth Carpenter, argumenta que a inflação deverá aumentar antes de começar a declinar, mantendo o Fed em espera, mesmo com uma desaceleração econômica em curso.
Carpenter destaca que, apesar de um cenário de emprego estável, a inflação superará as metas do Fed, obrigando-o a pausar cortes nas taxas até ter certeza de que a inflação está em declínio. Dois elementos chave, segundo Carpenter, são as tarifas elevadas introduzidas anteriormente e a restrição à imigração, que criam pressão sobre os preços e mantêm a inflação elevada, mesmo em tempos de crescimento lento.
Ele observa que o aperto no mercado de trabalho causado pela falta de imigração tornará difícil justificar cortes nas taxas, apesar de a economia estar desacelerando. O Morgan Stanley ainda prevê que os juros só começarão a ser reduzidos em março de 2026, prevendo um ciclo de cortes mais profundo do que o embutido nas expectativas atuais, resultando em uma taxa básica em torno de 2,5%.
Carpenter também sugere que, à medida que a inflação relacionada a tarifas seja resolvida, cortes mais significativos poderão ocorrer. Nesse contexto, ele acredita que o valor do dólar deve cair em relação a outras moedas, favorecendo países emergentes como o Brasil, com uma possível desvalorização adicional de até 10%.
Embora a bolsa americana esteja em alta, o Morgan Stanley adota uma abordagem cautelosa em relação ao ambiente macroeconômico, destacando que o desempenho do S&P 500 reflete mais os resultados das multinacionais e ajustes fiscais do que a atividade econômica interna.
Essa potencial desvalorização do dólar e o fim do aperto monetário nos EUA poderiam levar a cortes mais expressivos de juros em países como o Brasil, aliviando a pressão sobre as moedas emergentes. Carpenter acredita que essa dinâmica resultará em um reposicionamento gradual dos portfólios, e não em mudanças drásticas.
Assim, com juros elevados ainda presentes nos EUA e uma possível desvalorização do dólar no horizonte, o mercado permanece atento aos sinais do Fed e à trajetória da moeda americana.

