O Mercado Livre tomou uma decisão ousada para fortalecer sua posição no e-commerce brasileiro ao diminuir o valor mínimo de compra para acesso ao frete grátis de R$ 79 para R$ 19, estabelecendo um novo recorde.
Essa oferta se aplica a todas as áreas, plataformas e métodos de pagamento, sem a necessidade de cupons. Segundo analistas do Itaú BBA, essa alteração é uma resposta à crescente concorrência, particularmente diante de plataformas como a Shopee, e é vista como uma estratégia agressiva que foca em categorias de menor valor.
Além disso, o Mercado Livre recentemente cortou custos de frete em até 40% para alguns produtos, o que demonstra um esforço em aumentar a frequência das compras, atrair novos usuários e atender mais consumidores sensíveis a preços.
Contudo, os especialistas acreditam que a mudança vai além de um ajuste temporário, considerando-a como parte de uma estratégia mais ampla apoiada por uma robusta infraestrutura logística. Essa manobra é típica de um líder de mercado que sabe utilizar sua escala em sua vantagem competitiva.
Entretanto, essa iniciativa pode trazer um custo considerável, estimando-se que a nova política de frete grátis reduza cerca de 10% do Ebit e do lucro líquido projetados para 2025.
Apesar dos desafios de curto prazo trazidos por essa estratégia, o Itaú BBA mantém a recomendação de compra das ações e está atento às reações do mercado e da concorrência. Por sua vez, o Goldman Sachs acredita que, embora a redução do valor mínimo do frete possa pressionar as margens Ebit nos próximos trimestres, o impacto líquido no crescimento absoluto do Ebit será positivo, também reafirmando a recomendação de compra para as ações.

