Legacy Capital mantém posição vendida em ações do Banco do Brasil prevê queda de mais de 50% nos dividendos devido a riscos no crédito agrícola

A gestora de investimentos Legacy Capital comunicou a seus investidores que permanece com uma posição vendida nas ações do Banco do Brasil e prevê uma significativa queda no pagamento de dividendos, que pode ultrapassar 50%.

Com a gestão de R$ 15 bilhões, a organização afirma que o aumento nas provisões impactará os lucros e, consequentemente, a distribuição, comprometendo a estratégia de investimento focada em dividendos consistentes, crescimento e reavaliação das ações.

Essa análise leva em conta os crescentes riscos associados à carteira de crédito agrícola do banco, que a Legacy acredita serem subestimados pelo mercado.

A gestora observa que o modelo de concessão de crédito do Banco do Brasil não está alinhado com as novas condições do setor agropecuário, resultando em perda de participação devido à diminuição do crédito subsidiado e ao aumento da concorrência.

Além disso, notou-se um aumento no endividamento dos agricultores, deterioração no perfil de risco e alta nos pedidos de recuperação judicial. A garantia predominante utilizada pelo banco, o penhor de safra, é vista como inferior à alienação fiduciária da terra, o que coloca a instituição em desvantagem em comparação aos concorrentes privados.

A inadimplência de curto prazo dobrou em maio em relação a março, e a Legacy prevê que o Banco do Brasil será o mais afetado, com resultados do segundo trimestre comprometidos.

O lucro de abril de R$ 1,7 bilhões sugere que o trimestre pode ficar abaixo da marca de R$ 5 bilhões, o que não atende às expectativas do mercado.

Segundo a gestora, a concentração dos vencimentos da safra de soja entre abril e maio já sinaliza um aumento na inadimplência, com os efeitos sendo mais evidentes nos balanços de junho e julho, resultando em uma migração de empréstimos para estágios de maior provisão.

A proporção da carteira agrícola prorrogada saltou de 4% para 14% do total, atingindo cerca de R$ 50 bilhões, ou 25% do patrimônio líquido do banco. Embora esses créditos ainda estejam classificados no estágio 1, são considerados suscetíveis a reclassificações.

A Legacy também expressou preocupação com a recente retirada do guidance de lucro para 2025, poucos meses após seu anúncio, e questiona a continuidade da projeção de crescimento da carteira agrícola em um cenário incerto.

A gestora atribui parte significativa da deterioração a questões internas e, diante dessa avaliação, mantém sua posição vendida nas ações do Banco do Brasil.

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