Nos Estados Unidos, a leitura do índice de preços ao consumidor de maio surpreendeu positivamente, apresentando uma alta de 0,08% em relação ao mês anterior, inferior às expectativas de 0,2%. Essa desaceleração foi impulsionada pela diminuição nos preços de energia e gasolina, além de uma queda significativa em bens duráveis e serviços de lazer.
No acumulado de um ano, o índice geral subiu de 2,3% para 2,4%. O núcleo da inflação, que exclui alimentos e energia e é monitorado de perto pelo banco central, também ficou abaixo do esperado, com um aumento de apenas 0,13% mensal. Isso indica uma desaceleração mais pronunciada, mantendo a taxa anual estável em 2,8%.
A composição do núcleo destacou quedas em categorias como passagens aéreas, veículos novos e usados, e vestuário, refletindo um efeito inflacionário moderado relacionado às tarifas implementadas na administração anterior.
Em relação à transitoriedade do choque inflacionário causado por essas tarifas, dois aspectos importantes devem ser considerados: as altas expectativas de inflação a longo prazo e o potencial enfraquecimento do mercado de trabalho. Este último é evidenciado pela taxa de demissões voluntárias, que permanece abaixo do pico pós-pandemia.
As incertezas inflacionárias e a desaceleração no mercado de trabalho parecem indicar que o Federal Reserve deverá manter as taxas de juros inalteradas na sua próxima reunião. Espera-se também que o Sumário de Projeções Econômicas, que será atualizado nessa reunião, indique um aumento nas previsões de inflação e uma queda nas projeções de crescimento do PIB para 2025, reduzindo as expectativas de cortes nas taxas de juros de dois para um neste ano.
No Brasil, o governo anunciou oficialmente a Medida Provisória 1.303/2025, que propõe o fim da isenção do imposto de renda para diversos títulos de renda fixa, estabelecendo uma alíquota fixa de 5% a partir de 2026. Caso as mudanças sejam aprovadas, poderá haver um aumento nas emissões de LCI e LCA à medida que investidores busquem aproveitar a isenção antes da nova regra.
Entretanto, o processo de aprovação pode ser desafiador, especialmente após a Câmara dos Deputados ter aprovado um projeto que contestava um decreto do governo sobre aumento de IOF. As recentes divisões no Legislativo indicam que o governo pode enfrentar dificuldades.
Além disso, as vendas no varejo em abril superaram levemente as expectativas, enquanto a Pesquisa Mensal de Serviços mostrou resultados em linha com as previsões. O índice de atividade econômica IBC-Br apresentou crescimento superior ao esperado em abril, embora uma desaceleração no segundo trimestre já fosse antecipada.
Amanhã, o Copom decidirá sobre a taxa Selic, com o mercado dividido entre manter a taxa em 14,75% ou aumentar em 0,25 ponto percentual. Embora esse ajuste não seja suficiente para alterar radicalmente a economia, ele sinaliza um cuidado em relação às expectativas de inflação.
O Banco Central tem evitado compromissos futuros, mas é possível que exista uma janela para encerrar o ciclo de altas nas taxas. Neste contexto, os títulos prefixados de curto prazo continuam sendo uma opção atraente para os investidores.

