O dólar enfrentou mais dificuldades em maio, impactado por incertezas resultantes das tarifas do presidente americano e outras pressões que o mantiveram em um estado de expectativa.
O real, por outro lado, não conseguiu se beneficiar de um cenário de dólar mais fraco, principalmente devido à preocupação com a situação fiscal e a resposta negativa do mercado à proposta de taxação sobre os fundos de investimento no exterior, que foi posteriormente revogada. Essa proposta gerou a impressão de que o governo buscava implementar um controle de capital, o que seria prejudicial para um país com câmbio flutuante.
Embora a medida tenha sido revertida, o desconforto permaneceu. O dólar encerrou maio com um leve aumento de 0,76% em relação ao real, uma alta modesta quando comparada a outras moedas emergentes.
Em contrapartida, a moeda americana perdeu valor, encerrando maio com uma queda de 0,50% frente ao euro e 1,3% em relação ao iene, acumulando uma desvalorização de 9,57% contra a moeda europeia e 9,32% ante a japonesa até 2 de junho.
Essa desvalorização também afetou o índice dólar (DXY), que caiu 0,25% em maio e 9,3% em 2025. Enquanto isso, o peso mexicano mostrou uma valorização de 0,91% em maio e 7,85% no ano.
Fatores que contribuíram para a fraqueza do dólar incluem a desconfiança em relação ao pacote de redução de impostos do governo dos EUA e a reavaliação da nota de crédito pelo Moody’s, que é a única entre as principais agências a manter o país no patamar máximo.
O pacote, que torna permanentes os cortes de impostos de 2017 e adiciona novas reduções, pode aumentar ainda mais a dívida pública, que já ultrapassa 100% do PIB, com previsões de alcançar 118% até 2035, o que seria o nível mais alto desde a Segunda Guerra Mundial.
Além disso, as expectativas sobre a política monetária americana também influenciaram o câmbio, com a possibilidade de cortes de juros pelo Federal Reserve no segundo semestre, o que poderia levar investidores a buscar retornos mais atraentes em outros países, resultando no enfraquecimento do dólar. Atualmente, há uma probabilidade de 70% de que uma redução nas taxas ocorra na reunião de setembro.

