Para aqueles que aguardavam um ano de estabilidade e crescimento no portfólio internacional, a ascensão de Donald Trump à presidência dos EUA pode ter trazido mais descontentamento do que satisfação financeira.
De acordo com o analista de macroeconomia Matheus Spiess, a expectativa inicial gerou um clima de otimismo sobre desburocratização, diminuição do Estado e avanços nas criptomoedas. Contudo, à medida que Trump adotou uma abordagem mais agressiva em seu segundo mandato, os riscos associados a seu governo passaram a impactar mais intensamente os preços dos ativos.
Embora a frustração inicial tenha desaparecido, isso não indica necessariamente uma mudança nas condições do mercado, como afirmou Spiess durante um painel de investimentos internacionais. A instabilidade ainda é uma realidade, especialmente com tensões entre os EUA, Irã e China. Embora os mercados possam se planejar melhor, as ações de Trump têm sido contraditórias.
O analista menciona que o confronto tarifário com a China não seguiu o cenário desejado, já que a China se mostrou mais preparada para resistir a pressões do que se imaginava. Além disso, uma movimentação de recursos está ocorrendo devido à perda de credibilidade dos EUA, levando investidores a buscar alternativas em outros países desenvolvidos e mercados menos explorados. Isso reforça a estratégia de diversificação proposta pelo conceito “BIG”, embora Spiess ressalte que os EUA ainda permanecem como um ponto central na economia global.
Em relação ao ouro, Spiess destaca sua importância como reserva de valor e proteção contra incertezas, especialmente em um contexto onde sua demanda por parte das autoridades monetárias tem crescido.
A recomendação de alocação para investidores se concentra em destinar entre 15 e 30% dos recursos para o exterior, com destaque para investimentos em dólar. Além disso, ele sugere oportunidades temáticas, incluindo o setor de defesa na Europa e energias renováveis, enquanto mantém também um foco em opções dentro do mercado doméstico.

