O discurso de Jerome Powell em Jackson Hole hoje atrai a atenção dos mercados globais, que permanecem cautelosos, mas suscetíveis a volatilidade.
As chances de um corte nas taxas de juros em setembro, que anteriormente superavam 90%, caíram para cerca de 70% após declarações mais prudentes de integrantes do Federal Reserve.
Powell enfrentará o desafio de equilibrar pressões externas, especialmente de Donald Trump, que exige cortes mais rápidos, com divergências internas dentro do FOMC, cada vez mais polarizado.
Com dados que indicam uma economia forte e inflação persistente, é provável que Powell defenda sua perspectiva e a autonomia da instituição, especialmente frente ao aumento dos ataques políticos, que afetem a credibilidade do dólar como moeda de reserva.
No mercado, a recente correção nas ações de tecnologia e o alerta do Walmart sobre tarifas reforçam a fragilidade do ambiente econômico. O Walmart, grande player do varejo, consegue ainda moderar alguns custos, mas empresas menores correm o risco de repassar aumentos aos consumidores, agravando tensões inflacionárias e complicando a atuação do Fed, cuja política monetária afetará diretamente o Brasil, especialmente considerando cortes de juros no final do ano.
A expectativa sobre o discurso de Powell é alta, uma vez que um tom mais conservador poderia adiar as esperanças de flexibilização e acirrar conflitos políticos.
Enquanto isso, as bolsas na Ásia e Europa mostram alta, mesmo com revisões pessimistas para a economia alemã, e o petróleo se valoriza diante da persistência dos conflitos na Ucrânia.
No Brasil, a falta de novos indicadores econômicos foi um fator que ajudou a estabilizar o Ibovespa, apesar das incertezas políticas que cercam o país, como as relações com os EUA e as pesquisas eleitorais.
Embora surjam indícios de um governo mais competitivo em 2026, a questão fiscal ainda carece de uma agenda sólida, o que se tornará imprescindível em 2027.
Recentemente, a Câmara aprovou um pedido de urgência para a votação de um projeto que isentaria do Imposto de Renda quem ganha até R$ 5 mil, reflexão de um debate fiscal necessário, mas que poderá acentuar a fragilidade das contas públicas se não for gerido adequadamente.
Nos EUA, o nervosismo dos investidores aumentou após declarações do presidente do Federal Reserve de Cleveland, que não vê motivos para cortes de juros iminentes, refletindo nas expectativas de mercado e pressionando as bolsas para baixo.
Com um cenário econômico misto, o discurso de Powell poderá influenciar significativamente as percepções sobre a trajetória dos juros. Hoje, Powell deve adotar um tom cauteloso em seu discurso, com ênfase em manter flexibilidade nas decisões futuras, levando em conta dados de emprego e inflação que são fundamentais para as próximas reuniões do FOMC.
O clima de incerteza também se intensificou com as pressões políticas contra Powell, incluindo ameaças de Donald Trump, que prometeu demiti-lo caso não haja cortes emprestados.
A situação torna o discurso de hoje um momento crítico para demonstrar a credibilidade e independência do Fed, fatores vitais para a manutenção da confiança global no dólar.
Além disso, EUA e União Europeia anunciaram um novo acordo comercial, reduzindo tarifas sobre automóveis em condições recíprocas, embora algumas áreas ainda não tenham acesso facilitado, gerando críticas em diversas capitais europeias sobre um possível acordo desigual.
No campo geopolítico, o impasse nas negociações de paz entre Rússia e Ucrânia persiste. Moscou parece ter avanços estratégicos, enquanto Trump adota uma postura mais conciliadora com Putin, levando as conversas sobre concessões territoriais e garantias de segurança sem envolvimento militar direto da OTAN.

