Warren Buffett não ficou imune às tarifas aplicadas por Donald Trump — embora o presidente americano não tenha imposto taxas diretamente à Berkshire Hathaway, a holding do renomado investidor relatou uma diminuição em seus lucros no segundo trimestre e fez um aviso sobre os efeitos adversos da política comercial republicana.
O lucro operacional da Berkshire, proveniente de suas operações de propriedade total, caiu 4% entre abril e junho em relação ao mesmo período do ano anterior, totalizando US$ 11,16 bilhões. Este resultado foi afetado por uma redução na subscrição de seguros, mesmo que setores como ferrovias, energia, manufatura, serviços e varejo tenham apresentado lucros maiores em comparação ao ano anterior.
Além disso, a empresa enfrentou uma perda cambial de US$ 877 milhões após impostos, relacionada a sua dívida em moedas estrangeiras frente ao dólar; sem essa perda, os ganhos teriam sido mais robustos.
O caixa disponível da Berkshire ficou em US$ 344,1 bilhões, um pouco abaixo do recorde de US$ 347 bilhões no fim de março. A holding vendeu ações por US$ 4,5 bilhões nos primeiros seis meses de 2025, mantendo a tendência de desinvestimento pelo 11º trimestre consecutivo, e não realizou recompras de ações no primeiro semestre, embora houvesse expectativa de que isso ocorresse diante da queda significativa nos preços das ações desde o anúncio de que Buffett deixará a presidência ao fim de 2025.
Este foi o primeiro balanço financeiro publicado pela Berkshire após o anúncio da saída de Buffett, e Greg Abel, responsável pelas operações não relacionadas a seguros, será promovido a CEO.
O conglomerado também reportou um prejuízo de US$ 3,8 bilhões em sua participação na Kraft Heinz, que está considerando desmembrar sua divisão de alimentos.
Em meio a esses resultados, a Berkshire reiterou seu alerta sobre as tarifas de Trump, destacando que a volatilidade nas políticas comerciais internacionais aumentou e que ainda há um considerável grau de incerteza no que diz respeito às consequências finais para seus negócios.
O conglomerado expressou que poderá enfrentar repercussões negativas para a maioria de suas operações e investimentos futuros.

