Na quarta-feira, o Ibovespa, que é o principal indicador das ações na bolsa brasileira, mostrou sinais de recuperação após uma semana de resultados negativos, mas acabou caindo novamente no pregão seguinte, na quinta-feira.
O analista Ruy Hungria, da Empiricus, explica que essa breve alta foi motivada por expectativas em torno de um possível acordo entre a União Europeia e os EUA, o que gerou uma esperança de que algo semelhante pudesse acontecer com o Brasil.
No entanto, esse otimismo se dissipou rapidamente, já que o mercado reconheceu que a elevação foi um “otimismo exagerado”, uma vez que as negociações nacionais incluem questões além das tratativas com a UE. A abordagem de Donald Trump em relação a tarifas já não é uma novidade, e o analista observa que o mercado parece compreender que estamos diante de um jogo de negociações, com o verdadeiro desafio sendo a participação dos EUA nas discussões.
Após as declarações de Trump sobre tarifas que afetariam países em desvantagem, a expectativa dos investidores brasileiros foi frustrada, especialmente em comparação com a resposta esperada da União Europeia. Hungria destaca que as complexidades políticas no Brasil tornam as negociações mais complicadas.
Além disso, a proximidade da data de 1º de agosto, quando tarifas podem ser implementadas, traz ainda mais incerteza, com três possíveis cenários: um acordo, a redução das tarifas, ou um adiamento para novas conversas.
A volatilidade do índice é ainda aumentada pela temporada de resultados do segundo trimestre, que trouxe números abaixo do esperado para algumas empresas. O analista conclui que a queda observada é negativa, mas é uma consequência da valorização excessiva do dia anterior.

