Em 2025, o dólar apresentou uma desvalorização superior a 12% em relação ao real, o que chamou a atenção do mercado, uma vez que a moeda americana é geralmente considerada um ativo seguro em períodos de instabilidade global.
O analista Matheus Spiess destacou que o primeiro semestre do ano foi o pior para a moeda desde 1963, fazendo um paralelo com a década de 1970, quando os EUA abandonaram o padrão ouro e enfrentaram desvalorizações cambiais.
O enfraquecimento do dólar reflete a incerteza em relação à política econômica do país sob a gestão de Donald Trump, bem como pressões fiscais e institucionais. Embora a moeda tenha se fortalecido em crises anteriores, o atual cenário de incertezas originadas nos próprios EUA está colocando sua função como porto seguro em dúvida.
Spiess argumenta que atitudes comerciais inconsistentes de Trump, como tarifas elevadas impostas a diversos países, aprofundaram a desvalorização. Medidas que resultaram em déficits fiscais significativos e a pressão sobre o Federal Reserve para cortar juros também contribuíram para a desconfiança dos investidores.
Os EUA enfrentam um “duplo déficit” — fiscal e comercial — que resulta na fuga de investimentos, aumentando a vulnerabilidade do dólar. Desde o início do ano, investidores têm migrado parte de seus recursos para outros mercados.
O analista sugere que o dólar continuará a enfraquecer devido a uma crise de credibilidade institucional, com os EUA perdendo sua imagem de segurança. Além disso, rumores sobre uma possível preferência do governo por um dólar mais fraco para ajustar desequilíbrios comerciais podem levar a mais intervenções e fragilizar ainda mais a confiança nas instituições americanas.
Apesar dessas dificuldades, Spiess acredita que o status do dólar como principal moeda de reserva global ainda não está em jogo. Ele enfatiza que a recuperação da previsibilidade econômica e do fortalecimento das instituições é essencial para restaurar a confiança dos investidores.
Dessa forma, ele recomenda que os investidores mantenham entre 15% e 30% de seus portfólios no exterior, incluindo ativos denominados em dólar, mas também em outras moedas fortes como o euro, destacando a importância de investir em ativos sólidos em vez de simplesmente comprar moeda estrangeira.

