Desigualdade de Gênero e Raça em Cargos de Liderança nas Empresas Brasileiras: Desafios e Oportunidades segundo Pesquisa do IBGC

A representação de mulheres e pessoas negras em cargos de liderança nas empresas brasileiras de capital aberto ainda está aquém da diversidade demográfica do país, segundo uma pesquisa recente do IBGC, que avaliou 390 companhias listadas na B3 com dados de 2024.

O estudo revela que somente 16,1% das posições de administração, incluindo conselhos e diretorias, são preenchidas por mulheres. Embora 83,1% das companhias tenham pelo menos uma mulher em seus quadros administrativos, o aumento foi modesto, com apenas 0,3 ponto percentual a mais em relação ao ano anterior.

Valeria Café, diretora-geral do IBGC, destaca que é necessário criar condições que promovam a inclusão de mais mulheres em altos cargos, já que persistem barreiras estruturais que dificultam esse acesso.

A desigualdade racial é ainda mais evidente, com 82,6% das posições de administração ocupadas por profissionais brancos, enquanto pessoas pardas, amarelas e pretas representam apenas 3,4%, 1,1% e 0,5%, respectivamente. A falta de profissionais negros em cargos de liderança reflete oportunidades desiguais e a influência do racismo, apontando para a necessidade de um compromisso contínuo das empresas para promover mudanças.

Embora os dados gerais de funcionários sejam mais variados, com pretos e pardos constituindo 9,3% e 33,3% da força de trabalho, seu percentual em posições de liderança despenca para 5,3% e 23,3%.

As mulheres também estão sub-representadas, ocupando 30,9% dos postos de gestão, uma ligeira queda em relação ao ano anterior, em contraste com sua presença de 37,8% entre os empregados.

As empresas estatais se destacam com 19,3% de mulheres ocupando cargos de administração, superando as privadas e as de controle estrangeiro. Novas políticas públicas podem acelerar a inclusão, como a recente lei que estabelece que pelo menos 30% dos assentos nos conselhos de empresas estatais sejam ocupados por mulheres, incluindo a reserva de vagas para mulheres negras e com deficiência nos próximos três anos.

O IBGC argumenta que a diversidade não é apenas uma questão de justiça social, mas uma vantagem competitiva que enriquece as discussões estratégicas e leva a decisões melhores e mais inovadoras. O instituto recomenda tratar a promoção da diversidade como uma prioridade estratégica, com compromissos formais e revisões nos processos de seleção.

Desde 2014, o IBGC tem implementado o Programa Diversidade em Conselho, que já capacitou mais de 240 mulheres para participar de conselhos administrativos, agora expandido para focar também na diversidade racial e étnica.

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