Desafios e Oportunidades: Como a Desdolarização e a Mudança nos Fluxos de Investimento Afetam o Mercado Americano e Brasileiro





Investimentos e Desdolarização

A famosa frase de Warren Buffett sobre nunca duvidar da força da América está perdendo relevância. Embora a economia dos Estados Unidos ainda apresente produtividade e inovação, os investimentos estão se afastando, resultando em uma saída líquida de capital significativa. Isso levanta a questão: se não forem os EUA, então quem será?

A Europa enfrenta estagnação e a China enfrenta dificuldades, mas o mundo é vasto e o capital sempre busca novos locais para se estabelecer. Desde 2008, há uma tendência de investimento voltada principalmente para a Nasdaq, mas essa situação está mudando.

Os juros reais nos EUA aumentaram, as finanças públicas estão se deteriorando e o rating do tesouro americano foi rebaixado. Embora as grandes empresas de tecnologia ainda suportem o mercado, já demonstram sinais de fadiga. Diante disso, um número crescente de investidores passa a defender o “Sell America”, impulsionando o movimento global de desdolarização.

Na Ásia, países como Indonésia, Malásia e Japão estão ativamente buscando alternativas ao dólar em suas reservas e transações, motivados por questões geopolíticas, custos e a busca por autonomia. Após as sanções impostas à Rússia, o dólar foi transformado em uma ferramenta política, o que se intensificou com a recente administração.

As previsões contra a moeda americana estão se multiplicando. Esta semana, o gestor Paul Tudor Jones afirmou que o dólar pode desvalorizar 10% nos próximos 12 meses, prevendo cortes acentuados nos juros de curto prazo pelo Fed, que poderá ser liderado por uma figura ainda mais favorável a uma política monetária branda do que o atual presidente.

O impacto disso está sendo sentido no mercado, com o Bloomberg Dollar Spot Index apresentando uma queda de quase 8% em 2025, a pior performance de início de ano desde sua criação, enquanto investidores em opções continuam apostando na desvalorização do dólar.

Esse cenário se desenrola em meio à chamada “grande rotação” dos fluxos financeiros globais e uma crescente desconfiança em relação aos EUA. Nesse contexto, o Brasil se destaca positivamente, apresentando juros reais elevados, empresas com valuations atraentes e um mercado de capitais que evoluiu consideravelmente.

Há uma possibilidade real de valorização significativa dos ativos brasileiros, que poderia impactar favoravelmente o patrimônio financeiro. A visão otimista da WHG, uma destacada empresa de gestão de patrimônio no Brasil, sugere um potencial de valorização de 69% para os investidores no Ibovespa até 2026.

No entanto, é necessário um alerta para não se deixar levar pela imprudência. O investidor brasileiro tende a concentrar seus investimentos dentro do país, muitas vezes mantendo mais de 90% do patrimônio no Brasil, o que é arriscado.

Diversificar não significa apenas direcionar recursos aos EUA, mas também considerar uma abordagem geográfica mais ampla, incluindo mercados asiáticos, emergentes menos evidentes, commodities e tecnologia europeia. A desdolarização deve ser vista como um aviso, não como uma necessidade de fechamento de fronteiras; o capital fluirá para onde é melhor recebido.

É fundamental permanecer diversificado, evitar agir como uma manada e, especialmente, manter-se longe de convicções excessivas. A busca por oportunidades de investimento deve ser contínua, explorando diferentes setores da economia para obter lucros.


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