Em junho de 2023, Alexandre Rizk, um empresário do setor imobiliário, abriu o The Lexi em West Sahara Avenue, nas proximidades da Las Vegas Strip, marcando a estreia do primeiro hotel da cidade voltado ao consumo de cannabis.
Rizk, de 46 anos, estava convencido do potencial do seu conceito, pois lá o uso da maconha é permitido apenas no quarto andar, com apartamentos equipados com filtros de ar e suítes numeradas como 420. Ele já havia lançado um hotel semelhante, o Clarendon, em Phoenix, e sonhava em expandir sua marca Elevations pelo Oeste dos Estados Unidos.
No entanto, Rizk logo percebeu que a reputação de ser um hotel amigável à cannabis não trazia a vantagem esperada, pois, apesar da proibição do consumo em cassinos e na Strip, muitos estabelecimentos ignoravam clientes fumando ou usando vaporizadores.
Após cinco meses do lançamento do The Lexi e uma taxa de ocupação abaixo de 30%, Rizk começou a perder oportunidades de negócios para concorrentes que não eram focados em consumidores de cannabis, levando-o a vender o Clarendon e a rebranding do The Lexi.
Ao deixar de divulgar o hotel como um espaço voltado para a cannabis, sua ocupação aumentou em 15%. Rizk investiu pessoalmente 5 milhões de dólares no hotel, reconhecendo que a associação à cannabis poderia arruinar sua carreira.
Ao mesmo tempo, Las Vegas enfrenta o desafio de integrar a cannabis ao setor de jogos, especialmente com a recente queda na receita dos cassinos e no número de visitantes. Embora a cannabis tenha sido legalizada no estado para uso medicinal em 2001 e recreativo em 2020, os cassinos não podem participar do mercado de cannabis devido a leis federais.
Além disso, existem restrições que proíbem dispensários de abrirem nas proximidades dos cassinos e impedem a entrega de produtos legais na Strip. A possibilidade de conectar a cannabis aos cassinos é vista com ceticismo por muitos operadores, que temem as implicações legais.
Enquanto isso, uma pesquisa sugeriu que uma parcela significativa dos apostadores estaria disposta a consumir cannabis enquanto jogam. Riana Durrett, especialista em regulamentação, argumenta que a separação das duas indústrias é desnecessária, dado que a cannabis se tornou um entretenimento popular.
Contudo, figuras no setor afirmam que o risco associado à cannabis, sendo ilegal em nível federal, desencoraja o envolvimento de cassinos. Em síntese, a interação entre cannabis e jogos em Las Vegas permanece complexa, com desafios legais e de mercado que ainda precisam ser enfrentados.

