O debate em torno da política fiscal do governo Lula alcançou um novo patamar, com a decisão de solicitar ao Supremo Tribunal Federal a validação do decreto que aumenta o Imposto sobre Operações Financeiras.
De acordo com Matheus Spiess, analista macroeconômico, a crise do IOF é um reflexo, não a causa, das dificuldades da economia, que enfrenta rigidez orçamentária resultante da Constituição de 1988. Mesmo reconhecendo os aspectos positivos desse documento, ele aponta a necessidade de uma reforma orçamentária significativa.
O que o atual governo parece carecer de convicção e apoio político, especialmente diante da recente tensão com o Congresso. Esta tensão se intensificou ao desconsiderar a decisão legislativa sobre o decreto que altera as normas do IOF, utilizado em operações de câmbio e investimentos.
Spiess acredita que a judicialização da questão cria um ambiente de difícil diálogo entre os poderes e que o desfecho desse impasse pode resultar em prejuízos políticos para o governo. Ele sugere que, se o STF concordar com o Congresso, isso desgastará o governo, enquanto um apoio do STF poderia estragar a relação com o Legislativo, que o veria como aliado do Executivo.
Com essas circunstâncias, ele visualiza uma possível mudança de direção política nas eleições de 2026, com candidatos que adotem posturas mais fiscais e reformistas.
Além disso, destaca datas importantes que podem impactar a economia nos próximos meses, como a divulgação do Relatório bimestral de receitas e despesas em julho e o prazo para apresentação do Orçamento de 2027 em agosto.

