Os líderes do crescente agrupamento de países em desenvolvimento, conhecido como Brics, se encontram no Rio de Janeiro neste domingo para reiterar a necessidade de reformar as instituições ocidentais tradicionais e apresentar o bloco como um defensor do multilateralismo em um mundo cada vez mais dividido.
Com grupos como o G7 e o G20 enfrentando desafios devido a divisões internas e à política “America First” do governo dos Estados Unidos, a expansão do Brics oferece uma nova plataforma para coordenação diplomática.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou em um evento do Brics que, frente ao aumento do protecionismo, cabe às economias emergentes defender o comércio multilateral e promover a reforma da estrutura financeira global.
Atualmente, o Brics representa mais da metade da população mundial e 40% da produção econômica global. Desde sua primeira cúpula em 2009, onde se reuniram Brasil, Rússia, Índia e China, o bloco incorporou a África do Sul e, no último ano, novos membros como Egito, Etiópia, Indonésia, Irã, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. Esta cúpula marca a primeira vez que a Indonésia participa como membro.
Um diplomata brasileiro comentou que o espaço deixado por outras potências é rapidamente ocupado pelos Brics, embora o G7 ainda mantenha uma influência significativa. No entanto, surgem questionamentos sobre as metas que unem um bloco cada vez mais diversificado.
A cúpula deste ano também foi marcada pela ausência do presidente chinês, que enviou o primeiro-ministro, e pela participação remota do presidente russo devido a questões legais. Apesar disso, líderes como o primeiro-ministro indiano e o presidente sul-africano estão confirmados para o encontro que ocorrerá no Museu de Arte Moderna do Rio.
Até o momento, mais de 30 países demonstraram interesse em se juntar ao Brics. O Brasil, que também realizará a cúpula climática da ONU em novembro, está aproveitando ambas as reuniões para ressaltar a importância que as nações em desenvolvimento atribuem ao enfrentamento das mudanças climáticas, especialmente em contraste com a postura dos EUA em relação ao tema.
A China e os Emirados Árabes Unidos indicaram intenção de investir em um fundo para a conservação de florestas tropicais, conforme discutido com o ministro da Fazenda brasileiro. A ampliação do Brics também lhe confere maior peso diplomático, ao buscar representar os interesses do Sul Global e reforçar solicitações de reforma de instituições globais, como o Conselho de Segurança da ONU e o FMI.
Entretanto, as divergências entre os membros em relação a temas geopolíticos continuam a representar desafios significativos para atingir um consenso. Negociadores estão se esforçando para redigir uma declaração conjunta antes da cúpula, abordando questões como o conflito em Gaza e propostas de reforma do Conselho de Segurança.
O grupo também busca chegar a um acordo sobre a representação africana no novo Conselho de Segurança, garantindo assentos para o Brasil e a Índia, mas deixando em aberto a questão da representação africana.
Por fim, o Brics deverá manter suas críticas à política tarifária dos EUA, tendo expressado preocupações quanto a medidas protecionistas durante encontros anteriores.

