O Brasil se destaca na América Latina, conforme análise do Banco de Compensações Internacionais (BIS), o que é um indicativo positivo. De acordo com o relatório publicado, o país exibe um crescimento robusto da demanda interna, ao passo que a economia latino-americana tem enfrentado um desempenho mais modesto neste ano.
A instituição atribui essa performance favorável ao mercado de trabalho aquecido e às transferências fiscais. No entanto, o BIS também emitiu um aviso sobre a inflação no Brasil, que está apresentando um comportamento oposto ao de outras economias globais. Enquanto a inflação mundial está em declínio, no Brasil e em algumas partes da América Latina, esse progresso está estagnado.
Fatores internos como uma demanda privada forte, reajustes em preços regulados e a desvalorização das moedas têm influenciado os preços nas regiões mencionadas. Em resposta ao aumento das expectativas inflacionárias, o Banco Central do Brasil elevou as taxas de juros rapidamente. Recentemente, o Comitê de Política Monetária decidiu elevar a taxa básica em 0,25 ponto percentual, alcançando 15% ao ano.
O mercado antecipou que essa taxa permanecerá até dezembro, com cortes na Selic projetados apenas para janeiro de 2026. Além disso, o relatório do BIS mencionou os impactos da política tarifária de Donald Trump na economia global, que dificultam o processo de desinflação em diversos países, criando um clima de incerteza que prejudica as expectativas econômicas. Tarifas novas geram interrupções comerciais e põem em xeque um cenário de crescimento mais suave que era esperado anteriormente.
O Fundo Monetário Internacional, o Banco Mundial e a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico também revisaram suas expectativas de crescimento global após os anúncios tarifários. Por outro lado, o BIS alertou que, apesar dos riscos, não enxerga uma crise fiscal imediata.
O banco enfatizou a importância de ajustes fiscais rápidos para evitar consequências negativas no futuro e destacou que a interconexão dos mercados financeiros globais exige uma análise cuidadosa das influências externas. Ressaltou também a necessidade de preparação para futuras intervenções fiscais, como as realizadas durante a pandemia.

