Em 2025, os trabalhadores brasileiros devem dedicar até o dia 29 de maio apenas para cumprir suas obrigações tributárias, o que representa 149 dias de trabalho no ano exclusivamente para pagar impostos.
Um estudo revelou que, em média, os tributos consomem 40,82% da renda dos cidadãos. Apesar de leves flutuações ao longo dos anos, a carga tributária permanece elevada; há uma década, 151 dias de trabalho eram necessários para atender a essa demanda.
Para este ano, a quantidade de meses dedicados ao pagamento de impostos se manteve a mesma que em 2024. Fatores como o aumento do ICMS em dez estados, principalmente sobre combustíveis e comércio eletrônico, e a reinstauração de encargos sobre a folha de pagamento contribuíram para essa situação.
A maior parte dos tributos incide sobre o consumo, que consome 22,73% da renda dos cidadãos, representando 83 dias de trabalho. Já os impostos sobre a renda, como o Imposto de Renda, correspondem a 15,06% e exigem 55 dias. Por outro lado, os tributos sobre patrimônio, como IPTU e IPVA, oferecem uma contribuição menor, totalizando 3,03% da renda, ou 11 dias de trabalho.
Quando somados, esses valores alcançam os 40,82% da renda, ou quase cinco meses de trabalho ao longo do ano. A análise também revela que a carga tributária varia conforme a faixa de renda. Trabalhadores que recebem até R$ 3.000 dedicam-se até o dia 29 de maio apenas para o pagamento de tributos, enquanto aqueles que ganham entre R$ 3.000 e R$ 10.000 terminam um pouco antes, em 22 de maio, e os que têm renda superior a R$ 10.000 só encerram essa obrigação em 5 de junho.
Comparando dados históricos, observa-se um incremento na carga tributária ao longo das décadas, com o brasileiro trabalhando 76 dias para pagar impostos em 1970, passando para 138 dias nos anos 2000 e alcançando 153 dias atualmente.
Além disso, quando comparado a outras nações, o Brasil ocupa a 14ª posição entre os países da OCDE em termos de dias trabalhados para cobrir os tributos, apresentando uma carga maior que a de nações sul-americanas como Argentina, Chile e Uruguai.
A entrega de serviços públicos, que muitas vezes não correspondem à alta carga tributária, é levantada como um problema central. Recentemente, o total arrecadado por impostos no Brasil alcançou R$ 1,636 trilhões, evidenciando uma das mais altas cargas tributárias do mundo, mas com retorno insatisfatório para a população em comparação a outras nações.

