A Azul (AZUL4) afirmou, em comunicado ao mercado, que não formalizou nenhum acordo referente a transações ou estratégias financeiras. A empresa ressaltou seu compromisso em fortalecer sua estrutura de capital e continuar trabalhando, em conjunto com seus principais parceiros, na criação de valor a longo prazo.
Recentemente, foi reportado que a companhia está em negociações avançadas com possíveis credores para garantir um financiamento de aproximadamente US$ 600 milhões, o qual seria essencial em um possível processo de recuperação judicial. A operação pode ser anunciada na próxima semana, de acordo com informações de uma agência de notícias, que também mencionou que a aérea está avaliando diferentes opções para se reestruturar, incluindo a utilização do “Chapter 11”, instrumento norte-americano para recuperação judicial.
Também há especulações no mercado sobre uma iminente recuperação judicial, já que concorrentes como Gol e Latam já utilizaram esse mecanismo. Além disso, a agência S&P reduziu o rating da Azul de CCC+ para CCC-, indicando um alto risco de inadimplência e uma perspectiva negativa.
Com essa classificação, a companhia está apenas a dois níveis acima do padrão de calote, o que agrava sua situação, já que ratings baixos elevam a exigência de juros mais altos pelos investidores. A agência apontou que a Azul enfrenta grandes saídas de caixa devido a despesas financeiras e de arrendamento.
Apesar de ter um total de aproximadamente R$ 655 milhões em caixa e investimentos líquidos, os vencimentos da dívida da empresa não são altos, totalizando cerca de R$ 730 milhões nos próximos 12 meses. Contudo, as obrigações relacionadas a pagamentos operacionais, juros, capital de giro e despesas de capital são significativas, com estimativas variando entre R$ 7,4 bilhões e R$ 7,8 bilhões nesse período.
Desde o início do ano, a Azul captou R$ 3 bilhões com novas notas superprioritárias durante sua reestruturação, mas ainda assim não conseguiu evitar uma queima de caixa de quase R$ 750 milhões no primeiro trimestre.

