Com o anúncio de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros importados pelos Estados Unidos, que entrará em vigor em 1º de agosto, as incertezas comerciais entre os dois países aumentaram, afetando as projeções de diversos setores.
A preocupação central gira em torno da competitividade dos produtos brasileiros, principalmente commodities como café, carne bovina, suco de laranja, aço, papel e celulose, que podem ser facilmente trocadas por concorrentes estrangeiros. Isso diminuiria a participação do Brasil no mercado americano e impactaria a balança comercial.
Os Estados Unidos representam o segundo maior parceiro comercial do Brasil, respondendo por 12% das exportações brasileiras, o que é equivalente a 2% do PIB nacional. Produtos como ferro e aço, e aeronaves são alguns dos mais afetados, com a Embraer, por exemplo, dependendo significativamente do mercado americano. Já as empresas de suco de laranja dominam uma parte considerável da produção global.
Embora a Suzano receba uma fração de sua receita dos EUA, concentra-se mais no mercado chinês, e a carne bovina tem um percentil menor de exportação para os EUA comparada à China.
A expectativa é que a situação caótica nos mercados possa afetar também o sistema financeiro, com a Moody’s alertando que uma queda nas exportações poderia deteriorar a qualidade dos ativos dos bancos, levando a uma postura mais cautelosa na concessão de crédito.
Apesar das tarifas atualmente estarem em 10%, já se notam sinais de desaceleração em setores como celulose e máquinas, e a elevação das tarifas deverá intensificar esses efeitos.
Com juros altos e baixa atividade econômica, o consumo e os investimentos tendem a descer, o que pressionará a rentabilidade dos bancos, levando-os a restringir a oferta de crédito, mesmo que a exposição direta ao comércio internacional não seja grande.
O endividamento das famílias também é preocupante, e com a taxa de inadimplência atingindo seu nível mais elevado em cinco anos, os bancos se mostram mais cautelosos.
Apesar da possível pressão econômica e financeira, a exposição dos bancos brasileiros ao crédito voltado a negociações internacionais é considerada limitada, o que pode mitigar os impactos de uma nova tarifa.

