Análise dos Impactos das Novas Tarifas dos EUA no Mercado Brasileiro e Oportunidades para Investidores em Cenários de Alta Volatilidade

Iniciando uma semana repleta de eventos significativos, o que realmente ocupa minha mente não são as reuniões do Fed, as atualizações da Selic, os resultados das grandes empresas de tecnologia ou as novas tarifas dos Estados Unidos sobre o Brasil.

Curiosamente, o foco não está nem mesmo no confronto clássico entre Corinthians e Palmeiras. O que me intriga é Tchekhov, que invade meus pensamentos com a intensidade de um movimento social, dominando meu espaço mental, especialmente através da obra “O Duelo”. Ao ler, fica evidente que a verdadeira evolução e conflito do protagonista só ocorrem com a presença de um antagonista.

Sem um rival, como poderia Batman salvar Gotham? Nós também temos o herói certo, mas não aquele que realmente precisamos.

Após o anúncio das tarifas, os riscos associados aos ativos brasileiros aumentaram naturalmente, pois tal evento gera incerteza, ampliando a variabilidade e a presença de eventos raros nas projeções futuras. Estudos sobre a relação entre eventos raros e a necessidade de avaliações mais baixas existem há décadas e foram formalmente abordados em 1988, mas ganharam mais atenção em 2005.

Com o aumento das tensões, notícias sugerem que os EUA estão preparando novas sanções ao Brasil, o que pode resultar em consequências severas, como a expulsão da embaixadora brasileira e restrições a empresas que mantêm relações com indivíduos sancionados. Esses desdobramentos poderiam impactar significativamente o PIB e a depreciação cambial, afetando a inflação e empresas que operam com dívidas em moeda estrangeira.

Embora tudo isso seja atualmente um cenário extremo, recomenda-se a compra de opções de venda como forma de proteção, considerando que a volatilidade dos mercados ainda se mantém sob controle. Em vez de liquidar ativos brasileiros, uma abordagem mais sensata seria aproveitar oportunidades de compra, uma vez que muitos ativos já sofreram perdas significativas.

Não creio que uma medida momentânea tenha derrubado o valor intrínseco de empresas como o Itaú, e para investidores de longo prazo, a situação atual pode representar uma chance favorável.

Arguto, discordo da visão de que Lula emergiu como o grande vitorioso neste contexto. Apesar de seu aumento de popularidade a curto prazo ser óbvio, afirmar que sua ascensão garante uma vitória em 2026 soa exagerado, uma vez que a polarização demanda um oponente forte.

Acredito que há um crescente isolamento da figura de Bolsonaro, com a sociedade começando a reconhecer seu radicalismo, enquanto o apoio à sua figura se restringe. O Centrão e empresários buscam distanciar-se de Eduardo Bolsonaro, o que pode resultá-lo numa posição isolada.

Para Tchekhov, se o bolsonarismo se restringe a uma fração pequena da população, sua relevância diminui, beneficiando Lula num primeiro momento. Contudo, à medida que Bolsonaro possa sair de cena, Lula também poderá perder substância, pois a polarização necessita de um adversário. O fortalecimento de Lula poderia acabar tornando-se um esforço sem sentido sem um antagonista forte.

Cito uma reflexão sobre como a vanidade de líderes populistas os leva a não perceber que suas vitórias foram mais resultado de falhas dos outros do que de mérito próprio.

Se os riscos no Brasil são elevados devido a uma política irresponsável e se o cenário político na América Latina influencia novos ciclos, a perspectiva de um governo mais moderado e fiscalmente responsável se torna mais viável. Portanto, a recomendação é comprar seguros contra catástrofes, ao invés de vender ativos.

Caso a situação escale, as condições econômicas no Brasil piorariam, porém a possibilidade de um novo governo reformista emergir no futuro poderia assegurar a recuperação dos ativos. Se a crise não se intensifique, os prêmios de risco devem se reduzir, levando a uma posição positiva em ambos os cenários.

A trajetória se apresenta mais turbulenta, mas é prudente estar preparado para a volatilidade.

Por fim, um último comentário sobre o dólar: a recente decisão de congelar reservas russas em dólar levantou questões sobre a confiança na moeda americana, especialmente se o governo dos EUA impuser sanções com base em critérios ideológicos, o que poderia desafiar sua supremacia. Diversificar pode parecer vantajoso para os mercados emergentes.

Se considerarmos a possibilidade de uma desaceleração maior da economia brasileira, uma queda na Selic poderia acontecer antes do esperado.

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