A recente ofensiva comercial de Donald Trump contra o Brasil pode ser vista como uma chance inesperada para o governo de Lula. Analisando a situação, a LCA Consultores indica que a aplicação de uma tarifa de 50% sobre todos os produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos — uma medida defendida por Trump em uma carta onde critica o Supremo Tribunal Federal e apoia Jair Bolsonaro — fortalece a narrativa petista de “interferência imperialista” na política nacional.
Segundo a consultoria, a mensagem de Trump serve como um trunfo no discurso de Lula, criando um adversário externo para o governo. Essa nova estratégia comercial pode ampliar esse contexto.
A carta de Trump, ao apontar o STF como responsável por perseguir Bolsonaro, justifica, na visão do presidente americano, essa retaliação comercial, reforçando a conexão entre ele e a oposição bolsonarista.
O autoexílio de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, suas articulações com líderes republicanos, e a similaridade ideológica entre Trump e Bolsonaro sustentam a ideia de que essa medida foi indiretamente provocada pela própria oposição.
A LCA observa que já circula entre os militantes petistas um lema que contrasta as ações de Lula e Bolsonaro, mostrando que o governo busca mobilizar sua base em torno de temas como soberania nacional, defesa da democracia e crítica ao “neocolonialismo” dos EUA.
Enquanto isso, a oposição procura repassar a responsabilidade ao governo, argumentando que a deterioração das relações com Washington é resultado da política externa ideológica do Itamaraty, que se aproxima de nações como China, Rússia e Irã, além das declarações de Lula favoráveis à criação de uma moeda alternativa ao dólar.
A LCA acredita que a retórica governamental tende a ressoar mais com o público a curto prazo, embora apenas pesquisas futuras indiquem qual narrativa prevalecerá. Inicialmente, a análise aponta que a versão do governo possui mais chances de se destacar.
A consultoria ainda ressalta que o apoio de Trump a Bolsonaro provavelmente não terá impacto jurídico no julgamento atual no STF e pode até complicar um possível movimento para uma anistia ao ex-presidente no Congresso.

