A estratégia da família Ermírio de Moraes, da Votorantim, para perpetuar seu império de R$ 50 bilhões

Nos últimos tempos, a família responsável pela Votorantim implementou uma estratégia arrojada voltada para desvincular o faturamento do setor industrial, que historicamente sustentou seu crescimento por quase um século.

O resultado dessa abordagem é evidente, com previsão de faturamento de R$ 51,8 bilhões em 2024, representando um aumento de 7% em relação ao ano anterior, e um lucro operacional (Ebitda) de R$ 11,9 bilhões, um crescimento de 23% no mesmo período.

Para alcançar esses resultados, a holding, atualmente composta por 12 empresas, ampliou sua atuação em áreas como infraestrutura, energias renováveis e saúde. Em 2024, o grupo aumentou sua participação na farmacêutica Hypera para 11%, fortaleceu sua posição no setor energético com a consolidação da Auren — agora a terceira maior geradora do Brasil após adquirir a AES Brasil — e fez investimentos em novos empreendimentos através da gestora 23S, em parceria com o fundo soberano de Cingapura, Temasek.

O movimento é liderado por João Schmidt, CEO da holding desde 2020, que tem uma trajetória no mercado financeiro. A Votorantim continua sob controle total da família, que conta com mais de 170 herdeiros ao longo de suas quarta e quinta gerações.

Para assegurar a continuidade dos negócios e a harmonia entre as gerações, a empresa estabeleceu uma sólida estrutura de governança que distingue a gestão executiva do controle familiar. Essa estruturação teve início em 2001, quando Antônio Ermírio de Moraes, da terceira geração, deixou a presidência e a quarta geração foi alçada a funções nos conselhos e comitês estratégicos.

O conselho atual da Votorantim é composto por sete integrantes, sendo três da família e quatro independentes. No topo está a Hejoassu, holding que congrega os herdeiros em um conselho com 12 membros, encarregados de formular diretrizes para os investimentos do grupo.

Cada uma das empresas da Votorantim, que inclui entidades como Nexa (mineração), CBA (alumínio) e Banco BV, possui seu próprio conselho de administração e diretoria, gozando de autonomia, embora as decisões estratégicas sejam ratificadas por várias instâncias, incluindo a Hejoassu.

Este modelo de governança é complementado por uma cultura de educação familiar, onde o Conselho de Família prepara os herdeiros desde a infância até a fase adulta, proporcionando experiências educativas e mentorias. Atualmente, 14 membros da quinta geração estão envolvidos em conselhos e comitês do grupo.

Mais de um século após a fundação da primeira fábrica têxtil da família, a Votorantim demonstra sua capacidade de adaptação às exigências atuais. Com foco no longo prazo, na profissionalização e na diversificação, o grupo busca não apenas preservar, mas também expandir o patrimônio da família e assegurar sua relevância no cenário empresarial tanto brasileiro quanto global para as próximas gerações.

A empresa foi contatada, mas não se dispôs a conceder entrevista.

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