Na última semana, autoridades, analistas e representantes de empresas do Brasil e da Argentina se reuniram em Buenos Aires para discutir um acordo sobre o fornecimento de gás de Vaca Muerta, uma reserva considerada estratégica para ambos os países.
O evento, organizado pela Câmara de Comércio, Indústria e Serviços Argentino-Brasileira, focou em resolver pendências para viabilizar as exportações do gás natural.
Durante a reunião, o embaixador do Brasil na Argentina, Julio Bitelli, observou que, apesar das diferenças políticas entre os líderes dos dois países, ambos estão colaborando em áreas de interesse comum. Ele destacou a importância da Argentina como um país em transformação, oferecendo oportunidades, embora os investidores brasileiros estejam cautelosos, aguardando uma melhor visão do cenário geral.
O Vaca Muerta, situado na Patagônia argentina, é considerado uma das maiores reservas de gás e petróleo não convencionais do mundo, sendo fundamental para a economia argentina e uma alternativa de abastecimento para o Brasil.
O ex-secretário de Comércio Exterior do Brasil, Welber Barral, mencionou que algumas empresas brasileiras estão se mudando para a Argentina para exportar para os Estados Unidos, especialmente devido às altas tarifas impostas por Donald Trump.
A criação de regras claras e preços justos também foi discutida como uma necessidade para atrair novos investidores e regular o mercado, com o objetivo de facilitar a integração energética na região.
A TotalEnergies ressaltou a importância de reduzir custos para atingir um preço de US$ 7 por MBTU, e a Excelerate Energy identificou o Brasil como um potencial grande comprador de Gás Natural Liquefeito, especialmente em períodos de alta demanda.
Já representantes de Transportadora de Gas del Norte e IBP Brasil afirmaram que, para o gás argentino prosperar no Brasil, são necessários preços competitivos e contratos garantidos, além de destacarem a infraestrutura necessária para atender a demanda interna argentina.
O Vaca Muerta, descoberta em 1931, inicialmente começou a ser explorado na década de 1980, utilizando a técnica de fraturamento hidráulico para extração.
O acordo assinado entre os dois países propõe uma diminuição da dependência do Brasil em relação ao gás boliviano, buscando impulsionar a reindustrialização do país e fortalecer setores estratégicos, enquanto a Argentina espera aumentar sua autossuficiência energética.
A meta era movimentar 2 milhões de metros cúbicos por dia a curto prazo, com uma previsão de 30 milhões até 2030, embora a primeira importação tenha ocorrido apenas em abril, através do gasoduto da Bolívia.
Além disso, o acordo inclui estudos sobre rotas que possam ser utilizadas pelo Paraguai, Uruguai e Rio Grande do Sul.

