Após os primeiros dias da implementação das tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, a Jalles Machado observa uma continuidade na demanda internacional por seus produtos. A empresa, que produz açúcar e etanol, prevê uma leve diminuição nos pedidos vindos dos EUA a curto prazo, mas admite a possibilidade de que outros países ganhem competitividade no longo prazo.
Segundo Rodrigo Penna, CFO da Jalles Machado, embora as tarifas atuais sejam prejudiciais, pois incentivam outros países a aumentar sua produção, não é racional manter uma taxa de 50% nesse contexto comercial entre Brasil e EUA. A situação pode mudar com a eleição de 2026.
A Jalles Machado destina cerca de 80% de suas vendas de açúcar orgânico para o mercado internacional, sendo 70% direcionados aos EUA. Até o momento, a operação não sofreu muitos impactos devido à dependência americana do açúcar brasileiro, que importa cerca de 300 mil toneladas do produto, metade proveniente do Brasil.
Penna observa que os clientes continuam realizando suas compras, embora tenha havido pequenas reduções. A empresa estima perdas financeiras entre R$ 20 milhões e R$ 25 milhões devido às tarifas, mas compras recentes indicam que o efeito pode não ser tão severo.
Além disso, Penna revelou planos para investimentos na produção de biometano, que poderá ser utilizado na operação da empresa e vendido a indústrias locais, já que Goiás não possui um gasoduto e depende do transporte de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), o que pode aumentar a competitividade no estado.

