As expectativas de recordes de colheita no Brasil e nos Estados Unidos resultaram em uma queda nos preços do milho, levando os contratos futuros em Chicago a seu nível mais baixo em quase um ano no início de agosto.
Contudo, a onda de calor na Europa pode impactar essa situação. Durante a semana que terminou em 16 de agosto, as temperaturas no norte da Espanha e no sul da França aumentaram em até 9 °C acima do normal, o que afetou negativamente tanto a qualidade quanto a produtividade das plantações de milho.
A porcentagem de milho na França classificada como em boas ou excelentes condições caiu para 62% na semana que terminou em 18 de agosto, conforme relatado por FranceAgriMer, um número bem inferior ao do ano anterior.
Além disso, a seca na Bulgária tem prejudicado as lavouras, sugerindo que as colheitas de milho e girassol podem alcançar os menores níveis em décadas.
Diante disso, os compradores devem equilibrar possíveis perdas nas safras com estoques abundantes e baratos de outras regiões. De acordo com um analista de grãos e oleaginosas, os preços competitivos do milho brasileiro e americano no mercado internacional incentivam a demanda por importações.
A União Europeia deve importar 21 milhões de toneladas de milho na temporada 2025-26, conforme previsões do Conselho Internacional de Grãos, consolidando sua posição como o segundo maior comprador global por segundo ano consecutivo, uma vez que a China, tradicionalmente um grande importador, apresenta uma demanda reduzida.
As colheitas na Europa devem acelerar com a chegada do outono, com previsões de clima mais frio e úmido nos próximos dias. Um meteorologista destacou que a chuva em áreas centrais e do sul deve ajudar na recuperação da umidade necessária para o crescimento tardio do milho e do girassol, embora a seca continue em regiões como o Reino Unido, norte da Alemanha, sul da Romênia, Bulgária e Espanha.

