Neste sábado (9), o presidente da Rússia, Vladimir Putin, fez uma ligação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para discutir a colaboração entre os países do Brics, uma aliança que se fortaleceu em reação às políticas tarifárias dos Estados Unidos.
Conforme informações do Kremlin, ambos os líderes reafirmaram seu compromisso de intensificar a parceria estratégica e a coordenação no grupo. A conversa, que foi iniciada por Putin, também incluiu tópicos sobre sua interlocução com os EUA a respeito da guerra na Ucrânia e as relações entre Brasil e Rússia, conforme comunicado do gabinete de Lula.
A relevância desse diálogo aumenta com a confirmação do encontro entre Donald Trump e Putin no dia 15 de agosto, no Alasca, onde discutirão um possível cessar-fogo na Ucrânia, juntamente com a controvérsia sobre “intercâmbio de territórios” que provocou reações intensas em Kiev.
O Brasil se tornou um alvo na guerra comercial promovida por Trump, que elevou tarifas em um esforço para encerrar o julgamento de Jair Bolsonaro, atualmente processado por tentativas de golpe. Em resposta, o governo brasileiro está se esforçando para diversificar suas relações comerciais com outros países, como China, Índia e nações do Sudeste Asiático.
Lula já declarou que o Brasil não aplicará tarifas retaliatórias contra os EUA em resposta à sobretaxa de 50% que incide sobre produtos brasileiros, mas avaliará a possibilidade de uma reação em conjunto com seus parceiros do Brics.
Na quinta-feira, Lula e o primeiro-ministro indiano Narendra Modi conversaram e reiteraram a meta de expandir o comércio bilateral para além de US$ 20 bilhões até 2030.
Apesar de os produtores brasileiros de petróleo não terem sido impactados pelas tarifas de Trump, a preocupação com a dependência do Brasil em relação ao diesel russo aumenta, especialmente após a imposição de uma tarifa extra sobre a Índia por adquirir energia da Rússia.

