O recente anúncio do Comitê de Política Monetária trouxe pela primeira vez uma previsão de inflação para o começo de 2027, sinalizando uma tendência de queda. Isso pode incentivar a atual gestão do Banco Central a iniciar cortes na Selic antes que a inflação atinja a meta oficial de 3% ao ano, segundo Felipe Miranda, estrategista-chefe de uma consultoria financeira, após a decisão de manter a taxa básica em 15% ao ano.
Ele observa que o Banco Central parece indicar que os cortes de juros devem ocorrer apenas em 2026, reforçando uma postura cautelosa. O Copom, no mesmo comunicado, projetou que a inflação medida pelo IPCA atingirá 3,4% em 12 meses ao final do primeiro trimestre de 2027, uma leve redução em relação à previsão anterior de 3,6% para o final de 2026, o que sugere uma expectativa de queda na inflação.
Miranda acredita que o Banco Central está ansioso para realizar cortes, mas que isso depende de dados econômicos. Ele discorda da visão do BC de que a manutenção da taxa de juros será longa e não descarta a possibilidade de cortes ainda neste ano, caso haja um cenário econômico favorável.
O comunicado do Banco Central também destacou riscos associados à política tarifária dos Estados Unidos, e, segundo Miranda, a recente decisão de adiar a aplicação das tarifas trouxe um alívio ao mercado financeiro, que antes enfrentava muitas incertezas.
Apesar de toda a situação, ele argumenta que o BC poderia ter comunicado um cenário mais otimista para a inflação, considerando o aumento da oferta doméstica de alimentos lutando contra as restrições de exportação. Ele também aponta que a decisão do Federal Reserve em reduzir juros pode facilitar cortes no Brasil, mas destaca que o governo precisa garantir confiança no controle fiscal para que o BC tenha espaço para agir.
A dívida pública elevada e a falta de reformas tornam o ambiente econômico mais delicado, e qualquer instabilidade fiscal pode impactar negativamente as expectativas de inflação. Além disso, o calendário eleitoral também poderá influenciar a estratégia do Copom, que deve buscar manter sua credibilidade até 2026, minimizando a possibilidade de serem acusados de sucumbir a pressões políticas.
Miranda ressalta que este comportamento é comum em anos pré-eleitorais, onde preservar a reputação é fundamental. Por fim, ele acredita que ainda é cedo para avaliar o impacto do fortalecimento político do atual presidente, citando a possibilidade de surgimento de candidatos de centro-direita nas próximas eleições.
