Minerva defende-se de acusações de boicote na disputa com Marfrig e BRF sobre fornecimento de carne bovina

Em um novo desdobramento da disputa bilionária no Cade, a Minerva apresentou na quarta-feira (30) sua defesa contra as acusações de Marfrig e BRF, que afirmam que houve um boicote no fornecimento de carne bovina.

No documento enviado à autarquia, a Minerva refutou todas as alegações de irregularidade, esclarecendo que os contratos firmados com a Marfrig após a venda de 15 frigoríficos, concluída em 2024, apenas contemplavam cláusulas de preferência, sem obrigatoriedade de fornecimento, o que, segundo a empresa, não configura quebra contratual.

A Minerva também critica a Marfrig por, segundo ela, desvirtuar a realidade ao afirmar que houve descumprimento dessas obrigações, afirmando que tal denúncia foi apresentada fora do prazo regimental como uma retaliação a um recurso que a Minerva protocolou no final de junho relacionado à fusão com a BRF.

Além disso, a Minerva questionou a legalidade da incorporação das ações da BRF pela Marfrig antes da aprovação final do Cade, acusando a rival de tentar estabelecer um fato consumado sem a devida autorização regulatória.

No cerne da disputa está a formação da MBRF Global Foods, uma nova gigante do setor que uniria Marfrig e BRF, com um faturamento anual superior a R$ 150 bilhões.

A Minerva alega que essa fusão representaria um risco à concorrência, especialmente devido à atuação cruzada do fundo soberano saudita Salic, que possui ações relevantes em todas as três empresas envolvidas, o que poderia comprometer a competitividade entre elas.

O caso ainda está pendente de julgamento pelo Tribunal do Cade, sem uma data determinada para a decisão.

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