Caso não haja um entendimento com Washington, Bruxelas se dispõe a retaliar com tarifas sobre US$ 93 bilhões em produtos americanos, como jeans, motocicletas, veículos e aeronaves da Boeing, a fim de solidificar sua posição à medida que as negociações com a administração Trump alcançam um momento decisivo.
Recentemente, Donald Trump ameaçou implementar uma tarifa de 30% sobre produtos da Europa se um acordo comercial não for alcançado, levando os 27 países da União Europeia a autorizarem uma resposta tarifária.
Em abril, a Comissão Europeia já havia elaborado uma lista inicial de produtos, incluindo soja, denim, motocicletas e bebidas alcoólicas, que representavam US$ 21 bilhões em importações. Esta semana, uma nova rodada de medidas focada nos setores aeroespacial e automotivo, totalizando US$ 72 bilhões, foi aprovada. A Comissão decidiu consolidar essas propostas em uma resposta única, prevista para ser acionada a partir de 7 de agosto, a menos que um acordo seja alcançado.
Apesar de sinais de progresso nas negociações, a União Europeia escolhe ser cautelosa, criando um mecanismo robusto de resposta. Os produtos atingidos incluem itens sensíveis como aviões da Boeing e automóveis americanos. Essa postura busca desestimular uma possível escalada por parte dos Estados Unidos, ao mesmo tempo em que visa proteger os interesses industriais europeus.
As negociações estão caminhando para um compromisso que poderia se basear em um acordo semelhante ao firmado com o Japão, resultando em uma tarifa recíproca de 15% sobre algumas transações transatlânticas, um cenário que vários diplomatas europeus consideram agora viável.
Olof Gill, porta-voz da Comissão Europeia para o comércio, afirmou que, embora as negociações permaneçam como prioridade, a UE se prepara para todas as possibilidades, incluindo medidas adicionais de retaliação.
Um dado importante é que as exportações europeias em risco devido às tarifas americanas poderiam atingir US$ 380 bilhões, revelando a magnitude do conflito comercial. Diante do anúncio da sobretaxa americana marcada para 1º de agosto, Bruxelas intensifica sua postura, com a França pressionando por uma abordagem comercial mais assertiva, enquanto a Alemanha, com sua indústria automobilística vulnerável, adota uma linha mais rígida.
Além disso, a UE possui uma ferramenta adicional conhecida como “instrumento anti-coerção”, que poderia bloquear investimentos americanos ou limitar seu acesso aos mercados públicos europeus. Esse instrumento pode ser usado em conjunto ou em substituição às tarifas, caso Washington imponha unilateralmente suas condições.
As discussões continuam a avançar e podem levar a um acordo que evite uma escalada. Porém, o tempo é curto, e a implementação das represálias a partir de 7 de agosto continua uma possibilidade real.

