A Petrobras está considerando retomar sua própria rede de postos de combustíveis e distribuição, quatro anos após sair desse setor com a privatização da antiga BR Distribuidora, agora conhecida como Vibra Energia.
Essa possibilidade, que será analisada pelo conselho de administração da empresa nesta semana durante a revisão do plano estratégico para 2026-2030, surge em meio a críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da CEO da companhia, Magda Chambriard, sobre a falta de repasse adequado dos descontos oferecidos pela Petrobras nas refinarias para os consumidores finais.
Lula destacou que não faz sentido a empresa anunciar grandes descontos no diesel se isso não se reflete no bolso da população, mencionando que a privatização criou mecanismos que elevam os preços ao consumidor.
Em resposta à possibilidade de a Petrobras voltar a operar no varejo — seja através da recompra da Vibra, alguma nova iniciativa ou outra solução —, os investidores mostraram cautela, com as ações da Vibra caindo 2,22%, enquanto os papéis da Petrobras também enfrentaram uma leve queda de 1%.
O intuito, conforme informações de fontes consultadas, seria fortalecer a posição da empresa como uma entidade integrada e diversificada no setor energético, exercendo maior controle sobre a cadeia de combustíveis até o consumidor final.
Não houve, até o momento, um posicionamento oficial da Petrobras sobre o assunto. A Vibra tem a autorização para usar a marca Petrobras até 2029, mas já recebeu a notificação da estatal de que o contrato não será renovado nas condições atuais.
A ideia de reverter a privatização do setor de distribuição conta com o respaldo de sindicatos vinculados aos petroleiros, que apoiaram a eleição de Lula.

