Eucatex apresenta crescimento sustentável e estratégia de expansão em meio a aumento das exportações e modernização de ativos


Acreditamos que o excelente desempenho da Eucatex no primeiro trimestre não foi um evento isolado. Desde a metade de 2024, a empresa implementou reajustes de dois dígitos em seus produtos de madeira, o que deve ajudar a manter as margens em níveis similares aos do início do ano, o que é encorajador.

Embora tenhamos notado uma leve diminuição nas margens brutas no 1T25, que alcançou o maior patamar desde 2012, é natural que haja uma acomodação. No entanto, a tendência de crescimento em comparação ao ano anterior deve se manter.

Esse desempenho é impulsionado não apenas pelos reajustes, mas também pelo aumento nas exportações, que cresceram de cerca de 20% da receita nos anos anteriores para aproximadamente 30% no primeiro trimestre de 2025, um nível que se espera que se mantenha.

Os investimentos estratégicos nos Estados Unidos e a aceitação positiva no mercado local devem garantir vendas robustas nos próximos meses. Contudo, a expansão nos Estados Unidos também gerou um aumento nos custos logísticos, resultando em despesas estruturais mais altas do que em períodos anteriores. Ainda assim, espera-se uma melhoria na geração de caixa com a estabilização das vendas, reduzindo a necessidade de capital de giro.

Quanto às possíveis tarifas que os Estados Unidos possam impor ao Brasil, a empresa está analisando o impacto em seus segmentos. No cenário interno, o mercado brasileiro permanece aquecido, aproveitando a capacidade ociosa da indústria.

O programa Minha Casa Minha Vida tem contribuído para esse crescimento, especialmente com a nova faixa de financiamento voltada para consumidores de renda mais alta, que impulsiona a demanda por produtos de valor agregado.

A Eucatex está, além disso, investindo na modernização de suas máquinas para aumentar a capacidade e o valor agregado dos produtos. A empresa identifica oportunidades no mercado de portas, onde acredita que pode expandir sua participação, principalmente com a nova máquina de acabamento.

No que diz respeito aos acionistas, a gestão considera a possibilidade de introduzir distribuição trimestral de JCPs, além da já prática de distribuição anual de 25% do lucro líquido.

Um ponto relevante que foi abordado é a atualização do valor das terras da Eucatex, que estão marcadas no balanço por um valor significativamente abaixo do real. Embora a reavaliação de ativos imobilizados esteja proibida no Brasil desde 2009, outras empresas têm contratado consultorias para atualizar esses valores.

A Eucatex, cujas terras são avaliadas em R$ 300 milhões, apresenta um valor três vezes superior em estimativas conservadoras, o que pode desbloquear valor significativo para os acionistas se a questão for discutida.

Por fim, a possibilidade de migração para o Novo Mercado poderia melhorar ainda mais a governança da empresa, um desejo manifestado pela gestão, embora o custo desse movimento — em função do direito de retirada para acionistas minoritários — seja um obstáculo. No entanto, diversos fatores, como resultados futuros, aumento das exportações e revisões de valor das terras, podem facilitar essa transição.


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