Mercados reagem a tensões geopolíticas no Oriente Médio e destacam oportunidades de investimento no setor de petróleo e gás brasileiro

A resposta dos mercados após os ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã, seguidos pela retaliação desse país, revelou uma tensão palpável, mas não se traduziu em grandes variações nos preços. A incerteza na região se intensifica, o que promete manter a volatilidade nos preços das commodities elevada.

Em um contexto em que as circunstâncias mudam rapidamente, as ações do setor petrolífero emergem como uma forma de proteção contra as crescentes tensões geopolíticas. O analista de commodities recomenda que investidores integrem em suas carteiras cerca de 15% de papéis de empresas de petróleo e gás, especificamente sugerindo uma alocação de 10% em Petrobras e 5% em Prio, uma companhia menor do setor.

Desde que começou a guerra entre Rússia e Ucrânia, os preços do petróleo têm permanecido acima de US$ 70, chegando a picos de mais de US$ 120. Em virtude do aumento dos conflitos que envolvem Israel e o Irã, as previsões apontam para a manutenção do preço do barril entre US$ 70 e US$ 75 nos próximos meses.

Para as empresas brasileiras do setor, o atual nível de preços é confortável e tem contribuído para margens de lucro mais elevadas e fluxos de caixa robustos, refletindo em retornos atraentes para os acionistas. No caso da Petrobras, a política de distribuição de dividendos tem beneficiado os investidores, com a empresa já distribuindo R$ 422 bilhões em proventos até agora.

O valor da ação preferencial da companhia subiu de R$ 19,50 em janeiro de 2022 para R$ 32, o que representa um ganho de 64%. Por outro lado, a Prio utilizou seu fluxo de caixa positivo para adquirir novos campos de petróleo, incluindo o campo de Albacora Leste por aproximadamente US$ 2 bilhões e 60% do campo de Peregrino por US$ 3,5 bilhões, resultando em uma valorização de sua ação de R$ 20,29 para R$ 43,25, um aumento superior a 113%.

Outras empresas menores, como Brava e PetroReconcavo, também se mostram como opções de investimento, embora não estejam tão posicionadas para capitalizar sobre a alta dos preços do petróleo, devido a custos de produção mais elevados e operação em terra firme, o que limita seu potencial de produção.

A possibilidade de o Irã fechar o estreito de Ormuz, responsável por 20% a 25% da produção mundial de petróleo, poderia elevar os preços, com estimativas sugerindo que o barril Brent poderia superar os US$ 100 novamente. Contudo, essa possibilidade é tida como baixa, uma vez que um bloqueio total é considerado improvável, dada a pressão que a China exerce sobre o Irã para evitar retaliações desse tipo.

Em uma perspectiva mais ampla, os fundamentos do mercado indicam uma pressão negativa sobre os preços, com oferta ampla e um retorno gradual na produção de países fora da OPEP+. No entanto, as empresas brasileiras estão em uma posição favorável, especialmente com o potencial de exploração da Margem Equatorial, que é crucial para os planos da Petrobras e pode posicionar a empresa entre as maiores produtoras de petróleo até 2030, fortalecendo ainda mais a distribuição de dividendos, conforme demonstrado pelo sucesso no leilão da ANP.

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