Desafios da Diversidade nas Lideranças Empresariais: O Papel da Psicologia Antirracista para a Inclusão e Inovação

Apesar dos progressos na promoção da diversidade e inclusão, as posições de liderança em empresas e instituições ainda são em grande parte ocupadas por homens brancos, especialmente em setores financeiros. Essa realidade é uma consequência de um sistema que historicamente tem excluído mulheres, pessoas negras, indígenas e outros grupos minoritários de espaços decisórios.

Nesse contexto, o trabalho de Cida Bento, ativista e psicóloga, se destaca por desvendar os mecanismos que promovem essa desigualdade. Seus estudos sobre a interseção entre raça, gênero e psicologia elucidam a operação do racismo estrutural no Brasil e evidenciam as barreiras que dificultam a ascensão de lideranças negras.

Um dos conceitos centrais que ela apresenta, o “pacto narcísico da branquitude”, revela como a manutenção do poder branco se dá sem um acordo explícito, sustentada pela crença na meritocracia e pelo acesso desigual a oportunidades, perpetuando privilégios de gerações para gerações. A branquitude, portanto, se torna uma força atuante na manutenção das hierarquias sociais.

Além disso, Cida ressalta que a masculinidade branca no poder muitas vezes exerce uma dominação violenta e autoritária sobre grupos marginalizados, dificultando ainda mais a promoção de lideranças negras e ignorando a diversidade de perspectivas necessárias para a inovação e crescimento sustentável das empresas.

Por outro lado, políticas públicas como a Lei de Cotas são passos significativos, pois ampliam o acesso de jovens negros e de periferia ao ensino superior, criando novas oportunidades profissionais.

Para que essas iniciativas promovam mudanças efetivas nas estruturas de poder, é fundamental um esforço conjunto, com empresas e instituições indo além da inclusão simbólica para assegurar voz e respeito a essas novas lideranças.

O trabalho de Cida Bento em confrontar o racismo estrutural é um convite à ação, denunciando falhas do sistema e propondo soluções práticas, incluindo uma abordagem focada na saúde mental da população negra através da psicologia antirracista.

Suas reflexões são essenciais para que o ambiente empresarial não apenas debata a diversidade, mas a incorpore como um valor fundamental para o futuro das organizações e da sociedade.

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